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Bacia de Santos

Balanço do verão: PMP-BS registra mais de mil animais via acionamento


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Tartarugas e aves foram os animais mais encontrados nesse verão

1.028: esse foi o número de animais marinhos encontrados nas praias de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina por pessoas que passavam pelo local e acionaram as equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) durante o verão 2021-2022.

O verão é, em geral, a estação de menor intensidade de chegada de fauna no nosso litoral, mas os acionamentos são mais frequentes em algumas regiões em função do aumento de pessoas nas praias. Os acionamentos partem de diferentes públicos, entre eles turistas, moradores e instituições parceiras, como Corpo de Bombeiros e companhias de limpeza urbana.

No litoral norte de Santa Catarina, 37% das ocorrências de animais registrados no último verão vieram por acionamentos, proporção maior do que no último inverno, no qual somente 20% das ocorrências foram realizadas desta forma, possivelmente em função da menor frequência de pessoas nas praias na época mais fria do ano. O curioso é que nesse mesmo trecho o número de acionamentos vem caindo a cada ano. Para Jenyffer Vierheller, coordenadora do PMP-BS/Univille, essa pequena mudança pode ser indício do momento pandêmico vivido recentemente, mas também o reconhecimento e confiança da população no trabalho realizado há mais de seis anos.

“Ao nos ver diariamente nas praias, a comunidade passou a entender a dinâmica do nosso trabalho. Uma vez que as pessoas sabem que brevemente um técnico de campo irá monitorar aquela praia, não vê a necessidade do acionamento, particularmente quando o animal já está morto em decomposição avançada”. Para a gestora, o trabalho diário e continuado tem sido um canal seguro de fortalecimento do projeto perante a sociedade.

No Trecho 2, entre Imbituba (SC) e Governador Celso Ramos (SC), o número de acionamentos parece não ter relação com a quantidade de pessoas nas praias. Ainda que no verão mais pessoas frequentem as praias, os acionamentos neste trecho acontecem em menor quantidade no verão relação ao inverno, quando as praias estão praticamente desertas.

As principais espécies registradas durante a temporada de verão são animais marinhos de hábitos costeiros ou costeiro-oceânicos, como a tartaruga-verde, comuns ao longo do ano no litoral brasileiro. Na época de inverno, recebemos a visita dos pinguins, das baleias e dos pinípedes, que anualmente se deslocam em suas migrações de regiões mais frias do Atlântico Sul para alimentação ou reprodução em regiões mais quentes.

Na última temporada de verão, a maior parte dos acionamentos na cidade do Rio de Janeiro (Trecho 14) foram de aves, em sua maioria de biguás (Phalacrocorax brasilianus) e fragatas (Fregata magnificens). A presença recorrente de registros dessas duas espécies se dá pelo fato de que a região possui ninhais de fragatas nas Ilhas Cagarras, e lagoas, manguezais e o estuário, hábitat preferencial do biguá, que tem uma população considerável nestes locais.

Fora de época!

Apesar de não ser uma espécie comumente encontrada no verão, em 26/2 foi registrado um pinguim vivo em Bombinhas (SC) encontrado por banhistas na praia de Canto Grande.

Outro pinguim também foi encontrado na praia do Campeche, em Florianópolis (SC) já no finalzinho do verão (dia 16/3). Segundo a veterinária e responsável técnica do PMP-BS/R3 Animal, Marzia Antonelli, o animal provavelmente ficou na região após a migração do ano passado. Ele estava com o corpo coberto de epibiontes (organismos que vivem sobre outros seres sem causar prejuízos ou danos ao hospedeiro) e apresentava marcas sugestivas de interação com rede de pesca, no entanto, ele se recupera bem e continua em reabilitação no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Florianópolis, gerido pela Associação R3/Animal.

Parada para descanso

Um elefante-marinho-sulamericano (Mirounga leonina), com cerca de quatro metros de comprimento e cerca de duas toneladas, foi avistado na região de Ubatuba e Paraty. Em Paraty ele foi visto por último na Praia do Meio, na Vila de Trindade, antes do seu retorno voluntário ao mar. Assim como os pinguins, não é comum a ocorrência de elefantes-marinhos na costa do sudeste nos meses mais quentes.

Essa espécie é a maior dentro todas as espécies de pinípedes (focas, lobos e leões marinhos) e passa a maior parte da sua vida em ilhas na região subantártica, e na Patagônia, Argentina. Costumam se alimentar de lulas e peixes, frequentemente realizam grandes deslocamentos entre a convergência Antártica e as regiões com gelo flutuante da Antártica.

São ótimos nadadores, realizam mergulhos com duração de 20 a 30 minutos e alcançam 800 metros de profundidade. Fora do período reprodutivo costumam viver solitários e navegando em mar aberto, vindo à terra durante o período de muda (renovação de pele e pelos).

Saiba mais sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos abrange os municípios litorâneos dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e do Rio de Janeiro (de Paraty até Saquarema). A extensa área a ser monitorada (mais de 1.500 km de costa) pelo PMP-BS é dividida em Área SC/PR (execução coordenada pela Univali), Área SP (execução coordenada pela empresa Mineral) e Área RJ (execução coordenada pela empresa Econservation).

O projeto, executado pela Petrobras para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, é uma ferramenta para a gestão ambiental das atividades da companhia e entrega um resultado importante para a conservação das espécies marinhas.

A população pode participar, acionando as equipes ao avistar um animal marinho vivo ou morto, pelos telefones:

PMP Área SC/PR e Área SP – 0800 642-3341

PMP Área RJ – 0800 999-5151

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