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Bacia de Santos

Baleias migratórias já começam a chegar no litoral brasileiro


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Quando o inverno se aproxima, as baleias também passam a ser vistas com mais frequência no litoral dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Isso acontece porque as jubartes e baleias-francas são espécies migratórias de hábitos costeiros e que têm o Brasil como uma de suas áreas de reprodução. Normalmente, elas ficam por aqui de meados de junho até novembro, quando retornam para águas mais frias.

Além delas, existem baleias de hábitos oceânicos (que inclui as grandes baleias-azuis, baleias-fin e baleias-sei e a relativamente pequena baleia-minke-Antártica), que também se reproduzem no litoral brasileiro durante o inverno, mas, como habitam águas mais distantes da costa, é mais raro serem avistadas pela população. No entanto, o Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS) realiza campanhas aéreas e em embarcações para coleta de dados desde 2015 na Bacia de Santos e vem registando aumentos de avistamentos desses organismos, como aponta o biólogo Leonardo Wedekin, coordenador técnico do PMC-BS: “O que sabemos é que as avistagens estão aumentando ano a ano, o que pode indicar uma recuperação populacional”.

Baleia Jubarte juvenil avistada em 2021 pelo PMC

Em 2014 a jubarte saiu da lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção graças ao aumento da população depois de um longo período de caça comercial. Estima-se que a população atingiu um mínimo de menos de 1.500 baleias até o início da década de 70 e, atualmente, se estima em cerca de 20 mil animais. Leonardo explica que o número de jubartes está se estabilizando, após um período de quase três décadas de crescimento iniciado após o fim da caça comercial desta população (ano de 1972), mas o número estimado de indivíduos também sofre flutuações relacionadas às condições climáticas no hemisfério sul, onde elas se alimentam. “Por exemplo, um ano bom de gelo na Antártica resulta em muita quantidade de krill, que é a presa das baleias [jubarte]. Entretanto, anos de calor, com camadas de gelo menores, influenciam [negativamente] na quantidade de presas e, consequentemente, interferem nos animas que podem chegar no Brasil com fome, ou ficarem por lá, o que acarreta reflexos populacionais”, diz o biólogo.

Segundo Leonardo, o ano de 2021 pode ter sido um ano ruim para as jubartes, pois os primeiros registros dessas baleias no litoral brasileiro aconteceram em abril, ou seja, muito antes do esperado e, além disso, relativamente menos baleias foram registradas pelo PMC-BS e por outros projetos no pico e no final da temporada.

 
Baleia Jubarte encontrada no Guarujá (SP), em 2021, pelo PMP-BS

No entanto, em 2021 houve um recorde histórico de encalhes de jubartes em território nacional, com 230 ocorrências, segundo o Projeto Baleia Jubarte. O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) registrou 53 encalhes desta espécie somente no litoral do Estado de São Paulo, e 21 encalhes de jubartes de Paraty até Saquarema no Estado do Rio de Janeiro, este último, o maior número de encalhes da espécie para esta região desde 2017. A maioria dos encalhes desta espécie foram de indivíduos jovens, e aconteceram mais ao sul da principal área reprodutiva na costa brasileira, o litoral da Bahia, algo também incomum.

As causas das mortes das baleias vêm sendo investigadas por diversos pesquisadores no Brasil junto a parceiros internacionais. Existe uma hipótese de que a combinação de aumento populacional (decorrente da proibição da caça comercial e dos esforços para a conservação da espécie nos últimos 50 anos) com uma redução da disponibilidade de alimento em águas da Antártica, possa estar fazendo com que mais  jubartes cheguem ao Brasil ainda “famintas” e, consequentemente, se aproximem ainda mais do litoral em busca de comida, e também ficando mais propensas a se prenderem em redes de pesca colocadas na região costeira, que podem ter contribuído para aumento dos encalhes em 2021.


Baleia Jubarte, encontrada em agosto de 2021, pelo PMP-BS, com a cauda presa a rede de pesca.

Para 2022, a expectativa é um padrão migratório mais perto da normalidade, apesar de não ser possível afirmar com precisão. “Ainda não temos dados de como foi o verão na Antártica, mas espera-se uma abundância maior de krill que podem refletir em mais baleias por aqui e menos encalhes”, aponta Leonardo.

Baleia-de-bryde: no Brasil o ano todo
As baleias-de-Bryde (Balaenoptera brydei), também conhecidas por baleias tropicais, ocorrem nos trópicos e vivem sua vida toda em águas quentes, geralmente acima de 16°C. Elas são tímidas e sua identificação é difícil, pois exige a visualização de três quilhas na parte superior da cabeça. Sua nadadeira dorsal tem forma de meia-lua e a espécie usa frequentemente regiões costeiras do sul e sudeste do Brasil.

A região da Bacia de Santos é muito importante para essa espécie em função da ressurgência nas águas do litoral de Cabo Frio (RJ). Este fenômeno acontece em regiões do oceano onde águas frias de profundidade, muitas vezes ricas em nutrientes, sobem para a superfície do mar, ocasionando uma produtividade mais elevada de plâncton e peixes, por exemplo. A ressurgência de Cabo Frio contribui para que a sardinha, uma das presas preferidas da baleia-de-Bryde, ocorra em abundância naquela região.

Saiba mais sobre o PMC-BS e o PMP-BS
As atividades do Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS) são desenvolvidas em uma extensa área de monitoramento, com 272.567 km², que se estende do município de Cabo Frio (RJ) a Florianópolis (SC), incluindo os estados de São Paulo e Paraná, e adentrando no meio marinho até profundidades com 3.000 m.

O PMC-BS é executado pela PETROBRAS para cumprimento de condicionante ambiental exigida no Licenciamento Ambiental conduzido pelo IBAMA das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. O objetivo é conhecer a ecologia de baleias e golfinhos, para avaliar se há interferência dessas atividades nesses animais.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos abrange os municípios litorâneos dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e do Rio de Janeiro (de Paraty até Saquarema). A extensa área a ser monitorada (mais de 1.500 km de costa) pelo PMP-BS é dividida em Área SC/PR (execução coordenada pela Univali), Área SP (execução coordenada pela empresa Mineral) e Área RJ (execução coordenada pela empresa Econservation).

O PMP-BS, executado pela Petrobras para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, é uma ferramenta para a gestão ambiental das atividades da companhia e entrega um resultado importante para a conservação das espécies marinhas.

A população pode participar, acionando as equipes ao avistar um animal marinho vivo ou morto,
pelos telefones:
PMP Área SC/PR e Área SP – 0800 642-3341
PMP Área RJ – 0800 999-5151

 

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