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Bacia de Santos

Unidos pela “fala”: conheça animais que cruzam oceanos entre países que falam português


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Mais de 250 milhões de pessoas ao redor do mundo, em vários países, continentes diferentes, paisagens diversas e culturas distintas são unidos pelo idioma: a língua portuguesa. Ainda que existam barreiras físicas e políticas, a Língua Portuguesa é capaz de cruzar terras, mares e oceanos, estando presente em quase todos os continentes, o que o torna o 5º idioma mais falado no mundo.

Não é só no idioma e nos laços históricos e culturais que o Brasil tem traços comuns com outras regiões que falam a língua portuguesa. Outras associações podem ser feitas, desta vez no mundo animal, e lembradas neste mês de maio, quando são celebrados o Dia Mundial da Língua Portuguesa (5/5) e o Dia Mundial da África (25/5).

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) tem registros de alguns animais que são encontrados no Brasil e em outros países que falam português, como o alma-de-mestre (Oceanites oceanicus), uma das espécies de ave que também ocorre nos arquipélagos de Açores e da Madeira, em Portugal, em Cabo Verde, na Guiné Bissau, em São Tomé e Príncipe e em Moçambique.

Outra ave já encontrada pelo PMP-BS é o trinta-réis-das-rocas (Onychoprion fuscatus), que já foi registrada também nos mesmos locais. Essa é uma espécie extremamente oceânica e raramente é avistada na costa.

Viajantes do nosso litoral, temos o bobo-pequeno (Puffinus puffinus), que se reproduz no hemisfério norte (incluindo a Ilha da Madeira) e viajam regularmente entre sua colônia e áreas de alimentação, que podem chegar até 1.500 km de distância. Destes locais, as aves iniciam a migração, durante o inverno do hemisfério norte, partindo para a costa da América do Sul e às vezes para a África. A costa brasileira é um dos principais destinos, entre os meses de setembro a fevereiro e entre janeiro e março, ficando entre os estados do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul.

Além dele, também recebemos a visita de outras duas aves, o bobo-de-cabo-verde (Calonectris edwardsii) que é uma espécie endêmica de Cabo Verde e raramente encontrada por aqui; e o bobo-grande (Calonectris borealis), que reproduz na região dos Açores e Cabo Verde e é bem mais comum que o seu parente bobo-de-cabo-verde (Calonectris edwardsii) na nossa região.

Duas espécies de aves registradas pelo PMP-BS, o trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) e o maçarico-branco (Calidris alba) também ocorrem na costa portuguesa e Ilha da Madeira. Mas, não são os mesmos indivíduos encontrados no Brasil. Os que chegam aqui são, em sua grande maioria, oriundos da América do Norte.

Vindo pelo oceano, uma espécie encontrada em águas brasileiras é o golfinho-comum (Delphinus delphis) que, como o próprio nome sugere, é uma das espécies mais amplamente distribuídas da família Delphinidae, incluindo, é claro, a costa dos países que falam a Língua Portuguesa, como a região dos Açores, Cabo Verde e Ilha da Madeira.

A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) vive usualmente na zona oceânica durante a maior parte da vida e é uma espécie altamente migratória. As fêmeas migram das áreas de alimentação e descanso para as áreas de reprodução, em deslocamentos que podem chegar até mais de 4.000 km. O Gabão, na África, é o local de maior ocorrência de tartarugas-de-couro.

No Brasil, a área conhecida com desovas regulares está no litoral norte do Espírito Santo, com relatos de desovas ocasionais no Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Existem registros de ocorrências de encalhes nos Estados do Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Uma curiosidade é que fêmeas da tartaruga-de-couro marcadas no Gabão foram recapturadas ou encontradas mortas no Brasil e na Argentina, confirmando a primeira evidência de migração transatlântica de tartarugas que desovam no Atlântico leste para o Atlântico oeste.

Nomes diferentes

Apesar de ser um único idioma, cada população carrega em sua língua traços da sua cultura, contribuindo com diferentes expressões, tornando-o único para cada região. Alguns objetos, lugares e até sentimentos mudam de nome de um país para o outro. Aliás, essas diferenças são comuns dentro do próprio Brasil: é o caso, por exemplo, da mandioca, que também pode ser chamada de aipim ou macaxeira em outros Estados.

Da mesma forma, alguns animais que conhecemos por um certo nome podem ser chamados por outro completamente diferente. É o caso do golfinho da espécie Tursiops truncatus, famoso golfinho carismático que conquistou as telas em filmes. No Brasil, seu nome popular é golfinho-nariz-de-garrafa, já em Portugal, é conhecido por Roaz, e em Cabo Verde pode ser chamado de Tonina ou Corvineiro.

A nomenclatura desses animais pode variar de acordo com muitos fatores, como seus hábitos de vida ou comportamentos, o lugar que são encontrados e sua abundância. A tartaruga marinha Caretta caretta no Brasil é conhecida como tartaruga-cabeçuda, mas em Portugal é chamada de tartaruga-comum, pelo fato de ser a espécie de tartaruga marinha mais recorrente naquela região.

No Brasil, há quem chame o alma-de-mestre (Oceanites oceanicus) por esse nome em função do seu longo e triste pio, mas há também quem associe o som ao lamurio das almas dos mestres ou capitães de navios que se perderam no mar. Já em outros locais, a ave ganha o nome popular de casquilho e painho-casquilho.

Confira alguns nomes populares diferentes entre países de Língua Portuguesa:

Saiba mais sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos abrange os municípios litorâneos dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e do Rio de Janeiro (de Paraty até Saquarema). A extensa área a ser monitorada (mais de 1.500 km de costa) pelo PMP-BS é dividida em Área SC/PR (execução coordenada pela Univali), Área SP (execução coordenada pela empresa Mineral) e Área RJ (execução coordenada pela empresa Econservation).

O projeto, executado pela Petrobras para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, é uma ferramenta para a gestão ambiental das atividades da companhia e entrega um resultado importante para a conservação das espécies marinhas.

A população pode participar, acionando as equipes ao avistar um animal marinho vivo ou morto, pelos telefones:

PMP Área SC/PR e Área SP – 0800 642-3341

PMP Área RJ – 0800 999-5151

 

 

 

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