PMC-BS: uma década de compromisso com a preservação de baleias, botos e golfinhos

Atualizado em 18/12/2025

Postado em 18/12/2025

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Em 2025, o Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS) completou dez anos de cuidado e compromisso com a vida marinha, transformando dados em conhecimento científico e contribuindo diretamente para a preservação de baleias, botos e golfinhos.

O PMC-BS atua de forma contínua em uma área que se estende de Cabo Frio/RJ a Florianópolis/SC, desde águas costeiras até oceânicas, a uma distância de 350 km da costa e mais de 2 mil metros de profundidade, e utiliza modernos métodos e técnicas de monitoramento para entender a distribuição espacial e temporal dos animais, movimentos migratórios, sons que produzem e comportamentos.

Entre equipe gestora a técnicos de campo, o Projeto conta com mais de 60 profissionais envolvidos, na grande maioria biólogos e oceanógrafos, com o objetivo principal de avaliar possíveis impactos das atividades da Petrobras sobre os cetáceos, por meio do monitoramento de longo prazo de suas populações.

Ao longo de dez anos, o Projeto tem gerado um amplo conhecimento científico, totalizando 54 campanhas de coleta de dados, 13.351,5 horas de atuação e 259.093 quilômetros de esforço amostral. “Um esforço intensivo e sistemático sem precedentes na costa brasileira para o estudo de cetáceos, resultando em 5.645 detecções visuais e 2.177 detecções acústicas de grupos desses organismos”, explica Fábio Soares da Cruz, um dos responsáveis pelo PMC-BS.


Importância do PMC-BS para preservação das espécies

O Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos atua como um guardião da vida marinha. O acúmulo de dados gerado ao longo dos dez anos permite análise, discussão e consolidação das informações relativas à biologia das espécies de cetáceos registradas, como riqueza, distribuição, densidade, abundância, usos de habitats e padrões de comportamento, além do aprofundamento da avaliação de possíveis interferências antropogênicas sobre a comunidade de cetáceos.

Até o momento, foi possível identificar uma riqueza total de 29 espécies de cetáceos, das quais 21 são odontocetos (golfinhos e baleias com dentes) e oito são misticetos (baleias verdadeiras ou baleias com barbatanas bucais), distribuídas em sete famílias. O cetáceo mais frequentemente registrado é a baleia-jubarte, com 1788 detecções, seguida do golfinho-pintado-do-Atlântico, com 344 detecções.

O catálogo de fotoidentificação do PMC-BS registrou 3.687 indivíduos, contemplando comparações com catálogos de outros grupos de pesquisa que atuam na costa brasileira e no exterior, com um total de 398 reavistagens de animais previamente catalogados.

Foram implantados com sucesso um total de 142 transmissores em 15 espécies, sendo 116 transmissores satelitais e 26 transmissores arquivais para avaliação dos movimentos de cetáceos na Bacia de Santos.

No período, foram realizadas 680 biópsias em 21 espécies de cetáceos que permitiram estudar os animais, entender sua alimentação e identificar a presença de substâncias químicas no organismo. Com essas informações, os pesquisadores avaliam como essas espécies vivem, utilizam o oceano e os possíveis efeitos das atividades humanas sobre os animais.

Todos esses dados coletados pelo PMC-BS possibilitaram a produção de 107 publicações acadêmicas, com uma estimativa média de 12 trabalhos científicos por ano, seja em apresentações em congressos, publicações em revistas científicas ou produção de trabalhos acadêmicos, como monografias, dissertações e teses.

Principais descobertas em dez anos de Projeto

Segundo a equipe do Projeto, entre as principais descobertas ao longo de dez anos, foi possível constatar que a composição da comunidade de cetáceos na Bacia de Santos apresenta variação sazonal significativa, com maior similaridade entre inverno e primavera e entre verão e outono. 

O Projeto também realizou estimativas de tamanho efetivo da população de diversas espécies de baleias e golfinhos, atualizando informações importantes que podem ser utilizadas para subsidiar a conservação das espécies. Confira outros destaques obtidos nos dez anos de Projeto:

- A Bacia de Santos constitui uma região de passagem, mas também de possível permanência de baleias migratórias, com a identificação de áreas de maior permanência para a baleia-fin, a baleia-sei e a baleia-franca-do-sul.

- Os dados de movimentos usando fotoidentificação e transmissores satelitais mostram fatos inéditos sobre migrações de grandes baleias entre áreas de alimentação e reprodução; com dados recém-descobertos sobre a baleia-fin e a baleia-franca-austral.

- Foi possível constatar que a região do talude (área onde o mar se torna mais profundo) representa uma região de intensa utilização por animais migratórios, mas também por espécies de grandes mergulhadores, como a baleia-piloto-de-peitorais-curtas e o cachalote.

Sobre o Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS)

O Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS) é desenvolvido para atendimento de condicionante ambiental definida pelo IBAMA no Licenciamento Ambiental das atividades de exploração, produção e escoamento de petróleo e gás natural da Petrobras na Bacia de Santos. 

O objetivo principal do Projeto é conhecer a ecologia das baleias e dos golfinhos que ocorrem na Bacia de Santos, para avaliar possíveis impactos das atividades da Petrobras sobre esses cetáceos, por meio do monitoramento de longo prazo de suas populações nas áreas costeiras e oceânicas. 

O PMC-BS é executado atualmente pela empresa catarinense Socioambiental Consultores Associados, com o monitoramento semestral e anual por meio de campanhas embarcadas e aéreas (sobrevoos). 

Entre as tecnologias utilizadas para o monitoramento, estão os transmissores via satélite que “pegam carona” nas baleias e permitem monitorar os movimentos e o comportamento de mergulho dos animais, além de transmissores arquivais, que fazem medições detalhadas do movimento em três dimensões, incluindo os eixos lateral, longitudinal, vertical e gravação dos sons emitidos pelo animal. 

Os dados coletados pelo Projeto estão disponíveis ao público e podem ser acessados a partir da página de “Comunicação Social Regional da Bacia de Santos”, no site http://www.comunicabaciadesantos.com.br.

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