Presença de aves vai muito além da beleza e do canto

Atualizado em 03/10/2025

Postado em 03/10/2025

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As aves não se destacam apenas pela beleza ou pelo canto. Muito além da sensação de liberdade que transmitem, elas desempenham funções essenciais para o meio ambiente. Na Bacia de Santos, o Projeto de Monitoramento de Impactos de Plataformas e Embarcações sobre a Avifauna (PMAVE-BS) subsidia ações que contribuem para o manejo adequado das aves que venham a ser registradas nas plataformas, sondas e embarcações de sísmica que operam na região.

Segundo Paulo Roberto de Jesus Filho, coordenador geral do PMAVE-BS na Econservation (consultoria veterinária responsável atualmente pela execução do Projeto), desde o início do projeto em 2015, foram registradas 76 espécies distintas de aves, totalizando cerca de 280 indivíduos. Destaca-se a predominância de aves terrestres nas unidades offshore, representando cerca de 70% dos registros.

Ele conta também que, a família Columbidae (que inclui pombos e rolinhas) é a mais recorrente entre todos os registros, com 55 indivíduos identificados. “O aspecto mais notável é que muitos desses pombos são pombos-correio anilhados, frequentemente portando anilhas de outros países. Isso sugere que eles provavelmente se perderam ou foram desviados de rotas de campeonatos de pombos-correio, encontrando nas plataformas um refúgio inesperado em pleno oceano”, relata o coordenador geral do PMAVE-BS. No caso do pombo-doméstico (Columba livia), por ser uma espécie exótica, ou seja, não nativa do Brasil, sua soltura na natureza não é permitida, devendo ser encaminhado a criadores autorizados.

“Valorizar as aves é valorizar a biodiversidade, a ciência e a relação harmoniosa entre sociedade e natureza. Reforçamos a importância de reconhecer que as aves são indicadores da saúde dos ecossistemas e desempenham funções ecológicas essenciais, como a dispersão de sementes, o controle de populações de insetos e a manutenção do equilíbrio ambiental. Cada espécie carrega um valor único”, afirma Paulo Roberto.

A importância dos profissionais embarcados para o sucesso do Projeto

A contribuição individual e coletiva das equipes embarcadas é fundamental para o êxito do PMAVE-BS, especialmente a participação do Técnico Embarcado Responsável (TER), que recebe treinamento com os fundamentos necessários para identificação e resgate, além de todos os demais procedimentos a serem adotados quando constatada a presença de aves vivas ou mortas nas plataformas.

Para o técnico de Segurança do Trabalho José Wellington Freire, TER na plataforma P-67, o projeto reforça seu papel na preservação dos ecossistemas e na valorização da vida silvestre, contando com o suporte de profissionais capacitados para as intervenções, uma demanda ambientalmente relevante de “contribuição com a fauna no aspecto de conservação ambiental”, evidenciando o compromisso em proteger espécies e manter o equilíbrio natural.

A capacitação dos técnicos inclui o conhecimento dos principais grupos de aves, noções básicas de comportamento, acondicionamento de animais debilitados, transporte, preenchimento da documentação obrigatória e uso de EPIs específicos. Cada plataforma dispõe de um kit com equipamentos para captura e transporte de aves.

5 de Outubro: Dia da Ave

Instituído pelo Decreto nº 63.234, de 12 de setembro de 1968, o Dia da Ave é celebrado anualmente em 5 de outubro. A data reforça a importância desses animais para o equilíbrio dos ecossistemas e para a conscientização ambiental.

O PMAVE-BS atua de forma contínua no registro de ocorrências envolvendo aves nas plataformas da Bacia de Santos, orientando tecnicamente as ações de resposta, captura, manejo e transporte. Os animais resgatados são encaminhados para atendimento veterinário em terra, com foco na reabilitação e devolução à natureza.

Além disso, o coordenador geral do PMAVE-BS, Paulo Roberto de Jesus Filho, destaca que o projeto também contribui para a conservação e políticas ambientais ao:

Gerar Conhecimento Científico: Coleta e analisa dados detalhados sobre a interação da avifauna com operações offshore, identificando espécies, condições e causas de impacto;

Subsidiar Políticas: Fornece base de dados robusta para condicionantes de licenciamentos, regulamentações e diretrizes ambientais, assegurando decisões informadas;

Desenvolver Melhores Práticas: Estabelece protocolos padronizados para manejo, resgate e reabilitação de aves, servindo como modelo operacional;

Promover Transparência: Mantém comunicação constante com órgãos reguladores e compartilha dados publicamente, fortalecendo a fiscalização e a colaboração;

Aumentar a Conscientização: Engaja operadores e o público na importância da proteção da avifauna em ambientes offshore.

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