Projeto de Monitoramento de Ilhas Costeiras (PMIC) pesquisa Unidades de Conservação nos litorais do Rio de Janeiro e São Paulo
Na nossa companhia, cuidar do meio ambiente é um trabalho constante e a relação com os oceanos vai além do cumprimento das normas ambientais. Esse cuidado é parte fundamental da estratégia corporativa, especialmente em um setor diretamente ligado aos ecossistemas marinhos. Sendo assim, apoiamos o monitoramento das unidades de conservação nos litorais do Rio de Janeiro e São Paulo por meio do Projeto de Monitoramento de Ilhas Costeiras (PMIC).
Demandado pelo ICMBio como parte do processo de licenciamento ambiental da Etapa 3 do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama, o PMIC é executado pelo Instituto Mar Adentro (IMA) através de um Termo de Cooperação com a companhia. Ele atua em três unidades de conservação (UC) federais de proteção integral: o Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras), localizado no Rio de Janeiro, a Estação Ecológica Tupinambás (ESEC Tupinambás) e o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes (REVIS Alcatrazes), estas duas últimas localizadas em São Paulo.
O foco está na caracterização e no monitoramento da biodiversidade marinha, através do registro e identificação das espécies de invertebrados e macroalgas dos costões rochosos das seis ilhas e ilhotas do MONA Cagarras, assim como no monitoramento dos ninhais de aves marinhas nas três UCs.
Biodiversidade bentônica
O PMIC já identificou mais de 250 espécies de organismos bentônicos (aqueles que vivem no fundo marinho), incluindo invertebrados e macroalgas bentônicas, inclusive com registros inéditos para a região do MONA Cagarras. Estes resultados são fruto de um intenso esforço amostral, que já conta com 234 mergulhos científicos realizados em 121 campanhas embarcadas; nas quais, 65 estações amostrais foram pesquisadas.
O PMIC já navegou aproximadamente 2.500 milhas náuticas na região e produziu mais de 25 mil fotografias submarinas e depositou mais de 1.000 exemplares da fauna e flora em diversas coleções científicas do Museu Nacional-UFRJ e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Aves marinhas
Além do monitoramento de bentos, as aves marinhas (atobá-marrom e fragata) nas ilhas no litoral do Rio e São Paulo também são monitoradas pelo projeto. Durante os dois primeiros anos, já foram realizadas 173 saídas de campo para o Mona Cagarras e Alcatrazes, totalizando mais de 3.400 horas desta atividade.
Já foram anilhados 399 fragatas e 218 atobás-marrons, que tiveram dados biológicos e clínicos, além de amostras de sangue e penas coletados. Os resultados serão utilizados para compor um banco de dados inédito sobre as condições clínicas de animais saudáveis em seu ambiente natural.
Cerca de 600 ninhos já foram identificados e marcados, nas três UCs, como parte do acompanhamento do sucesso reprodutivo.
O levantamento populacional utilizado pelo PMIC é feito através de dois métodos: o tradicional, com contagens em solo, e uma abordagem inédita no Brasil para essas espécies, que é o uso de imagens aéreas captadas por drones, tecnologia essa que tem se mostrado uma ferramenta promissora, oferecendo maior precisão e alcance em áreas de difícil acesso.
Todos esses dados são importantes para a preservação e o manejo destes ninhais, que constituem as maiores colônias de fragata do Atlântico Sul.
Cetáceos
Assim como para as aves, o litoral do Rio de Janeiro também é um corredor migratório para baleias e golfinhos. O PMIC se propôs a organizar um banco de dados e desenvolver um banco de imagens de cetáceos com resultados de monitoramentos pretéritos na região do MONA Cagarras e entorno, realizados entre 2004 e 2019. Estas imagens permitem identificar as espécies e, até mesmo, os indivíduos através de marcas naturais nos corpos dos animais. Com isso os pesquisadores podem monitorar ocorrências, comportamentos e deslocamentos dessas espécies nesta região.
Preservação ao meio ambiente e conhecendo o mar do Brasil
Com o nosso apoio, o PMIC tem feito mais do que atender ao licenciamento: tem gerado dados e informações inéditas para a ciência marinha no Brasil.
Iniciativas como essa demonstram o compromisso da companhia com o meio ambiente e o avanço científico, integrando de forma estratégica seus empreendimentos em ações que promovem o desenvolvimento sustentável e valorizam o patrimônio natural brasileiro.
O biólogo da área de Licenciamento e Meio Ambiente, Emerson Morosko, destacou a importância do PMIC para o meio ambiente: “Projetos complexos e estruturados como este demonstram o compromisso da companhia com a busca pelo conhecimento sobre os ambientes marinhos brasileiros”.