Para minimizar os impactos da pandemia nos territórios tradicionais, em maio de 2020 foi iniciada a campanha Cuidar É Resistir, que já levou cerca de cinco toneladas de alimentos, máscaras, produtos agroecológicos e materiais de higiene para mais de mil famílias.
Organizada pelo Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), com o apoio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), que atualmente realiza os projetos Povos e PEA Costa Verde, a campanha Cuidar É Resistir entrou em sua segunda fase, ampliando o alcance e as iniciativas em desenvolvimento.
A nova etapa expandiu a área de abrangência e tem como foco reforçar a ajuda humanitária e a divulgação de informações confiáveis em relação à pandemia e à segurança das vacinas.
“Neste momento difícil, precisamos apoiar as comunidades em diversas frentes: aquisição de alimentos, distribuição de material de higiene, disseminação de informações confiáveis e reforço da economia solidária para que possamos ampliar as trocas de pescado e alimentos agroecológicos entre as próprias comunidades”, destaca Vagner do Nascimento, coordenador do FCT e coordenador geral do OTSS.
A primeira fase da campanha foi realizada nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, área de abrangência do Povos. Agora, com o início da Fase 2 do PEA sendo coordenado pela mesma instituição, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), foram incluídas comunidades tradicionais de Mangaratiba, no litoral sul do Rio de Janeiro, e de São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, área de abrangência do projeto.
No site da campanha Cuidar É Resistir há mais informações sobre a segunda etapa e um vídeo no qual participantes comentam sobre as contribuições trazidas pela iniciativa.
Fórum de Comunidades Tradicionais lança segunda fase da Campanha Cuidar é Resistir (preservareresistir.org)
Saiba mais sobre os projetos:
Povos
Realizado sob responsabilidade da Petrobras como condicionante do processo de licenciamento ambiental dos empreendimentos de Produção e Escoamento de Petróleo e Gás Natural da Petrobras, definido pelo Ibama, o Projeto Povos promove o fortalecimento da autoapropriação cultural e a preservação da identidade das comunidades tradicionais, levantando importantes informações para incorporação ao processo de licenciamento ambiental.
O projeto é executado pelo Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), uma parceria entre o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os comunitários trabalham na identificação e mapeamento de seu território, através da metodologia da cartografia social, apontando aspectos relacionados ao manejo dos recursos naturais em seus territórios, situação fundiária, acesso à saúde, educação, saneamento, realizando registro de práticas culturais tradicionais, modos de organização, trabalho e renda.
O principal espaço de decisão é o Conselho do Projeto Povos, que reúne representantes do FCT, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), da Comissão Guarani Yvyrupá (CGY) e da Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC), que atua no direcionamento dos rumos da caracterização. Clique aqui e saiba mais.
PEA Costa Verde
Também condicionante do Licenciamento Ambiental da Petrobras conduzido pelo Ibama, o Projeto de Educação Ambiental (PEA) da Costa Verde visa desenvolver processo educativo envolvendo as comunidades tradicionais de pescadores e pescadoras artesanais com vistas ao fortalecimento de processos organizativos que buscam a permanência nos territórios sustentáveis e saudáveis em que vivem e trabalham, por meio de uma rede de formação que promova a construção de conhecimento, o diálogo de saberes e a valorização dos meios de vida e do trabalho comunitário e tradicional.
O projeto é implementado por fases. Na Fase I, realizada entre 2017 e 2020, foram realizadas atividades com a metodologia da educação ambiental crítica e da educação popular, como oficinas de formação da equipe, intercâmbios de experiências entre as comunidades e ações formativas dos comunitários.
Iniciada em outubro de 2020 com a contratação do OTSS, a Fase II do PEA, com duração de cinco anos, pretende construir essa Rede de Formação Socioambiental, sua Coordenação Político Pedagógica (CPP), seu Projeto Político Pedagógico (PPP), realizar 8 cursos rápidos com parceiros e lançar dois cursos permanentes. Clique aqui e saiba mais sobre o PEA Costa Verde.